De Bakhtin a Libras, II SELIT encerra a viagem ao mundo da Literatura

Durante três dias, o II Seminário de Literatura (II SELIT) proporcionou uma volta ao mundo da literatura. No terceiro e último dia do evento, os temas expostos abordaram desde clássicos como Bakhtin até o que de mais atual há, como a literatura voltada para as pessoas com deficiência auditiva, cujos textos são escritos na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). O II SELIT visou integrar os cursos de Letras, língua e literatura da Universidade expondo trabalhos de pesquisa realizados por professores e estudantes nas diferentes línguas. 

Iniciando a programação, foi realizada a mesa-redonda que tratou da literatura contemporânea brasileira, da qual participaram os professores Keyla Cardoso, apresentando a temática “Entre Bakhtin e Barros: uma conversa sobre o discurso poético”, Carlos Guedelha, que discorreu sobre a “Trajetória Lírica de Astrid Cabral”, e Kenedi Azevedo, pesquisador da luso-literatura na pós-modernidade.

Para a palestrante, professora Keyla Cardoso, o II SELIT contribuiu para fortalecer um dos tripés da universidade.  “O Seminário foi importante para incentivar a pesquisa universitária. Porque, quando nós apresentamos informações, recursos e teóricos novos, estamos incentivando os alunos a dedicarem-se à pesquisa.  Eu apresentei meu trabalho sobre Bakhtin e Barros. Por que não desenvolver  um sobre Bakhtin e um outro poeta?, instigou a professora.

O II Seminário de Literatura ofereceu vasta programação que começava às 14h e seguia até às 21h. A agenda do terceiro dia foi um exemplo disso. Enquanto no auditório Rio Solimões eram realizadas as palestras, no Rio Negro, ocorria a oficina “A Literatura Surda existente e a Literatura Surda em construção na UFAM com o Projeto Tradução de contos da Literatura para surdos” ministrada pela professora Rosilene Marinho. A seguir, houve a exposição dos trabalhos indígenas. Os professores Gabriel Arcanjo e Roberta Enir Neves e a discente Kamila Freire de Oliveira fizeram as explanações. Às 18h, continuaram as atividades do minicurso “Narrativas audiovisuais: um percurso discursivo”, cuja liderança foi dada ao professor Luiz Carlos Martins.  Paralelamente, o professor Marcos Frederico Kruguer era o preletor da conferência “Diálogos a partir da Obra: Amazônia - Mito e Literatura”. O Hall do ICHL foi o palco para diferentes manifestações artísticas, como a exposição de artes plásticas e musicais. 

A aluna do 4º período de Letras, Língua e Literatura Espanhola, Kamila Oliveira expôs os resultados da pesquisa desenvolvida acerca da lei 11.645 que trata da obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas do país. De acordo com a jovem pesquisadora, o evento permitiu que ela dividisse com os participantes um pouco do que aprendeu sobre o tema. “O meu objetivo aqui é desconstruir algumas ideias equivocadas sobre os indígenas e os africanos. Eu mesma as tinha anteriormente. Agora, com o trabalho, não possuo mais essa visão e gostaria de ajudar outros a não tê-las também”, declarou. 

Para a estudante Sarah Talita Castro Rabelo, o II SELIT propiciou a ampliação do aprendizado da sala de aula. “Nós tivemos a oportunidade de adquirir conhecimento acerca de assuntos novos como, por exemplo, a literatura africana, que foi tema de uma das oficinas. É algo recente e muito importante para a nossa formação profissional”, salientou.

Catarina Lemes, membro da equipe que coordenou o Seminário, expressou a satisfação com o trabalho realizado. “Todas as nossas expectativas foram alcançadas. Tivemos a participação expressiva do público durante os três dias. Todos nós, da organização, estamos muito felizes por termos obtido o resultado que queríamos e já estamos pensando no próximo evento”, comemorou a discente.