Curso de Geologia da Ufam obtém nota quatro na avaliação do MEC

186 discentes e 17 professores efetivos realizam atividades em sete laboratórios didáticos

O bacharelado em Geologia obteve nota quatro, de um máximo de cinco, na última avaliação in loco realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável por avaliar os cursos superiores do País e apontar os indicadores de qualidade. Com 17 professores, dos quais 15 são doutores, o curso foi criado em 1976 e está abrigado no Instituto de Ciências Exatas (ICE).

São ofertadas 40 vagas anuais e a graduação está dividida em dez semestres letivos com o total de 4.065 horas/aula. Como não há muitas instituições que ofertam esse curso, ele não é submetido ao Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), mas à avaliação periódica in loco feita por comissão de especialistas.

No novo Projeto Pedagógico do Curso, ao menos 720 horas-aula são dedicadas às atividades de campoNo novo Projeto Pedagógico do Curso, ao menos 720 horas-aula são dedicadas às atividades de campo

“A graduação atende às necessidades regionais por formar profissionais que atuam no ramo específico da geologia técnica e de fiscalização, bem como nas atividades de mineração e serviços geológicos, e também no ensino superior”, enfatiza o diretor do Instituto, professor Raimundo Passos. Ele afirma que o curso tem o papel de suprir a demanda da Amazônia Ocidental nessa área, sendo uma formação tradicional do ICE há mais de quatro décadas.

O diretor da Unidade explica o processo. “Após a avaliação anterior, ocorrida em 2014, a Universidade assumiu o compromisso de, entre outras coisas, reformular o Projeto Pedagógico do bacharelado. Em 2016, realizou-se uma nova avaliação, quando o curso obteve a nota quatro e foi renovado pelo MEC”, informa. “Para o ICE e para a Ufam, o curso apresenta corpo docente técnico competente e qualificado, cumprindo todos os requisitos para a formação dos alunos”, complementa o docente. A avaliação presencial foi realizada entre os dias 19 e 21 de junho de 2017.

Renovação

O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior prevê três modalidades avaliativas para os cursos de graduação, sendo uma para aprovação, uma para reconhecimento e outra para renovação de reconhecimento. Esta última, pela qual passou o bacharelado em Geologia da Ufam, é realizada a cada três anos e os itens avaliados são: organização didático-pedagógica; corpo docente e tutorial; instalações, como salas/laboratórios; e quesitos legais e normativos. A avaliação que levou à nota quatro ocorreu em resposta a um protocolo de compromisso para a renovação de reconhecimento do bacharelado.

Os avanços foram em diversas frentes, dentre os quais: a recomposição do Núcleo Docente e Estruturante do Curso de Geologia (NDE); a elaboração do Plano Pedagógico do Curso (PPC), entre a coordenação e NDE, de acordo com as diretrizes curriculares vigentes para o Curso e aquelas indicadas pela UFAM; e a discussão do PPC com docentes e discentes, particularmente em relação à nova grade curricular proposta. Concluídas as discussões internas, o PPC foi encaminhado às instâncias superiores.

Segundo o diretor do ICE, o curso tem o papel de suprir a demanda Amazônia Ocidental nessa áreaSegundo o diretor do ICE, o curso tem o papel de suprir a demanda Amazônia Ocidental nessa área

Nesse período, também se investiu na organização funcional de laboratórios e demais espaços acadêmicos e administrativos, solicitação de obras bibliográficas atualizadas e equipamentos, além de reparos necessários à melhoria estrutural para as atividades de ensino, pesquisa e extensão. A coordenadora do curso, professora Maria Edith Velasquez, informa que, dos 186 discentes, 22 estão aptos a concluírem no segundo semestre de 2017; e o quadro receberá, após concurso público vigente, mais três professores de carreira para comporem um quadro que chegará a 20 docentes até o fim do ano.

Os sete laboratórios didáticos do curso são para as áreas de Geologia Geral, Paleontologia, Mineralogia, Geofísica, Geologia Estrutural, Sensoriamento Remoto e Geologia Econômica. Além de servirem às aulas práticas e às atividades de pesquisa, os locais destinam-se à preparação de amostras e ao desenvolvimento de diferentes análises geológicas, como a separação de minerais pesados, por exemplo.

“A Universidade deve seguir as diretrizes curriculares e os dispositivos da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), razão pela qual se investiu num projeto pedagógico mais inovador”, esclarece a coordenadora do curso. Segundo ela, com esse novo modelo, se permite a interação de atividades intelectuais, de aprendizado, práticas de campo e produção de conhecimento, tudo conforme as necessidades de desenvolvimento do País. “Da carga de cerca de quatro mil horas, pelo menos 720 são dedicadas a atividades práticas de campo”, exemplifica a docente.

Atuação profissional

A coordenadora do curso, professora Maria Edith Velasquez, e a chefe do departamento, professora Valquíria Porfírio, comemoram um ano de trabalho pelos avanços pedagógicos e estruturais que conduzem à formação adequada dos profissionais da área. A atuação dos egressos inclui trabalhos topográficos e geodésicos; levantamentos geológicos, geoquímicos e geofísicos; detecção e pesquisa em jazidas para determinar seu valor econômico; e perícias e arbitramentos sobre todas as matérias relativas e esse campo.

As atividades como o Programa de Educação Tutorial (PET), com 18 discentes e um docente vinculados; os projetos de Iniciação Científica; e as ações de extensão, como o projeto ‘Divulgação das geociências nas escolas de ensino médio na cidade de Manaus’, segundo apontam as docentes, contribuem muito para esse resultado. O Museu de Geociências, por sua vez, possui exposição permanente de minerais, rochas e fósseis desde 1992.

“Estas práticas integradas de campo visam a promover a ação pedagógica que permita ao aluno compreender processos geológicos na natureza e reconhecer estes na realidade sob uma ótica holística e crítica e não apenas disciplinar”, avaliam a coordenadora do curso e a chefe de Departamento.